Saímos de Juazeiro do Norte e partimos para Tarrafas. Dá uma distância entre 150 e 200km, destes, 32km são de estrada de terra. Gastamos quase 4 horas para chegar.
A região onde fica a cidade de Tarrafas é muito bonita, o terreno é acidentado, por isso a cidade é cheia de ruas íngremes, algumas delas com inclinação de mais de 45 graus. Ficamos numa espécie de pensionato: a pensão da Loura. É uma casa que lembra muito a da minha tia em Carolina, no Maranhão, que tem vários quartos que ela aluga para as pessoas dormirem. É bem precário o local, as condições de hospedagem são bem ruins. O banheiro era coletivo com chuveiro frio, a casa é aberta (sem forro), cheia de pernilongos e um galo que cantou a noite inteira que Deus deu... Pelo menos usei uma das mantas que adquiri em Juazeiro do Norte. Junto com a Loura mora o marido dela, o filho e a mãe dela, uma velhinha já bem lesada das idéias que entrou no quarto para conversar com a minha colega quando ela já estava indo para “alfa”.
Uma coisa engraçada é que na cidade todos se conhecem por apelidos, a Loura se chama Maria Socorro, a Prefeita Teca se chama Antônia, o Secretário de Educação Didi se chama Odair... Nada a ver.
O bom em Tarrafas foi almoçar um peixe muito gostoso (comi muito) nos dois dias que ficamos lá e o mel natural que conseguimos (
No outro dia (dia 20), depois de concluirmos os trabalhos, voltamos a Crato para pegarmos o ônibus para Serra Talhada - PE, pois não tem ônibus direto para Triunfo. Foram mais quase 4 horas de viagem e o pior: sendo torturado com “Garotas Safadas” e “Aviões do Forró”. Quase morri irritado com aquele cherengodengo e a cantora chorando e o cantor gritando “uuuuuuuuuuuuuuiii!!!”. É um tal de “chupa que é de uva”, “senta que é de menta” que ninguém merece tanta criatividade. Colocaram a porra do som tão alto que nem o fone de ouvido resolveu. Pelo menos me desintoxiquei no ônibus para Serra Talhada. O motorista do baú estava frenético, tomara que as pessoas tenham chegado vivas em Recife e não tenham ficado em nenhuma ultrapassagem de risco (numa delas pensei que eu fosse subir no telhado)... Desembarcamos
Outra coisa interessante, porém, para mim desagradável como deu pra perceber acima, aqui na região só toca esse forró que é uma mistura nojenta, grudenta, melequenta de kalipso, com axé, com suingueira, com pornografia, com tchan, fora as mil versões de musicas internacionais famosas como “Umbrella” da Rihana, que já é ruim no original, em versão forró prefiro nem comentar o que acho. Tem também versões de “I can’t live” (acho que é isso) da Mariah Carey que eles fizeram isso do refrão: “Paulinha, me diz o que que eu faço. Paulinha, eu quero o teu amor”. Aff! É a cultura local, pra não dizer pobre, diria pouco diversificada... Não posso fazer nada a não ser abstrair...
Agora estou preparando o espírito para ir para a festa junina e amanhã conto mais. Espero que o forró que vai tocar lá hoje seja aquele gostoso de triângulo, zabumba e acordeon.
Um comentário:
Forró...Forró...Forró...
Deus do céu....
Nem Ipod pra poder com tudo isso!!!
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